
LENDA CELTA GANHA NOVA DIMENSÃO COM “A DAMA DAS FOCAS”, ESPETÁCULO MUSICAL DE BONECOS DA CIA ÓPERA NA MALA
Ao contar a estranha paixão entre um pescador e uma mulher foca, peça ressalta a importância do equilíbrio entre o homem e a natureza.
Cenas com atores e bonecos, teatro de sombras chinês, música ao vivo conferem magia e originalidade ao infantil “A Dama da Focas”, que a Cia Ópera na Mala idealizou para transpor para os palcos a lenda celta sobre o amor de um pescador por uma mulher foca. Para encantar ainda mais a garotada, os atores Cris Miguel e Sergio Serrano interpretam ao vivo instrumentos como harpa celta, gaita de fole, violino e bodran. Em meio a este clima de encantamento, a peça ressalta questões ambientais da atualidade como a importância do equilíbrio entre a cultura e a natureza, o homem e o meio ambiente.
Uma das personagens da trama foi inspirada numa pessoa real: a escocesa Fiona Middleton que, há 31 anos, se levanta cedo todos os dias cedo para oferecer um concerto de violino para as focas da Ilha de Islay, no sul do país. “Primeiro aparece alguma cabeça escura, depois outra, outra e outra. Em dez minutos pelo menos 25 focas estão escutando a música”, testemunha John Robrins, da Fundação “Save our Seals”. Conhecida por “Fiona das focas”, a maior preocupação desta mulher é cuidar das focas melômanas, ameaçadas de extinção por pescadores.
ESPETÁCULO
A lenda de uma mulher que se transforma em animal não é privilégio do Reino Unido, mas recorrente em várias culturas. “Na Ilha do Marajó, no Pará, existe a lenda da mulher que vira búfala. Na África, uma bela jovem se transforma em aliá, a fêmea do elefante. No Japão, há a fábula da mulher que vira um grou, uma espécie de cegonha”, afirma o ator Sérgio Serrano.
“A Dama das Focas” começa com Fiona e seu concerto diário à beira mar, que atrai uma família de focas formada pelo vovô, a vovó, a mamãe, os gêmeos, o caçula e sua atraente irmã Brigite. Neste momento, o pescador Tom Moore, conhecido por sua voz prodigiosa, sai para sua jornada diária e flagra Brigite tirar sua pele de foca e se transformar numa linda mulher. Após cantar para ela, Tom rouba a pele e atrai a jovem para sua casa. Deste encontro nasce uma paixão, que resulta em casamento e no nascimento de cinco filhos. Tudo vai bem até que Brigite reencontra sua pele e vive o dilema: voltar para o mar ou ficar com sua família.
Para representar esta trama, Sérgio e Cris se revezam na encenação no palco – às vezes com roupas de neoprene, pés de pato, máscara e snorkel –, na interpretação das músicas e “contação” de histórias. Cabe aos dois também manipular os bonecos, que foram confeccionados tanto com formas caricatas como realistas. Alguns deles são marotes - tipos específicos de marionete que são manipulados pela boca. Em outros bonecos a manipulação é direta, feita por meio de extensores (varetas).
A trilha sonora é formada pela releitura de temas tradicionais do cancioneiro celta e composições próprias. Destaque para a gaita de fole. Segundo Sérgio, este instrumento tem origem asiática e era usado originalmente por pastores. “Alguns foles são até hoje feitos com pele de cabra”, explica. Na peça, ele vai tocar uma gaita de fole galega, originária da região do Minho, em Portugal. O instrumento foi introduzido no Brasil na época do Descobrimento.
| Clique nas imagens abaixo para ve-las ampliadas. |